Você conhece ou já ouviu falar na cientista brasileira Livia Schiavinato Eberlin?
Pois então!
Há dois anos esta cientista brasileira criou uma "caneta" que detecta
câncer durante cirurgia.
Livia Schiavinato Eberlin, formada em Química pela Unicamp,
se dedica ao desenvolvimento do dispositivo na Universidade do Texas.
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| O dispositivo é capaz de extrair moléculas de tecido e apontar a presença de células com tumores no material analisado (Youtube/CPRITTexas/Reprodução) |
A cientista
brasileira desenvolveu uma espécie de caneta capaz de detectar células tumorais
em poucos segundos. Livia Schiavinato Eberlin é formada em Química
pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e, apesar da
pouca idade, já é chefe de um laboratório de pesquisa da Universidade do Texas
em Austin, nos Estados Unidos.
Foi lá que ela iniciou os estudos de um dispositivo capaz de
extrair moléculas de tecido humano e apontar, no material analisado, a presença
de células cancerosas. A tecnologia está em estudo, mas já teve resultados
promissores ao ser usada na análise de 800 amostras de tecido humano.
A pesquisadora, que já mora há mais dez anos nos EUA, para onde se
mudou para fazer doutorado. Nos Estados Unidos, Livia ganhou destaque na
comunidade científica ao ser uma das personalidades selecionadas em 2018 para
receber a renomada bolsa da Fundação MacArthur, conhecida como "bolsa dos
gênios" e destinada a profissionais com atuação destacada e criativa em
sua área. O prêmio, no valor de U$ 625 mil (cerca de R$ 2,5 milhões), é de uso
livre pelo bolsista.
Em entrevista exclusiva ao jornal O Estado de S. Paulo, a
pesquisadora explicou que a caneta, batizada de MacSpec Pen, tem como principal
objetivo certificar, durante uma cirurgia oncológica, que todo o tecido tumoral
foi removido do corpo do paciente. Isso porque nem sempre é possível visualizar
a olho nu o limite entre a lesão cancerosa e o tecido saudável. "Muitas
vezes o tecido é retirado e analisado por um patologista ainda durante a
cirurgia para confirmar se todo o tumor está sendo retirado, mas esse processo
leva de 30 a 40 minutos e, enquanto isso, o paciente fica lá, exposto à
anestesia e a outros riscos cirúrgicos", explica Livia.
A caneta desenvolvida por ela e sua equipe de pesquisadores
usa uma técnica de análise química para dar essa mesma resposta que um
patologista daria. "A caneta tem um reservatório preenchido com água.
Quando a ponta dela toca o tecido, capta moléculas que se dissolvem em água e
são transportadas para um espectrômetro de massa, equipamento que caracteriza a
amostra como cancerosa ou não", explica a cientista.
Essa caracterização da amostra em maligna ou não pode ser
feita porque a tecnologia usa, além dos equipamentos de análise química,
técnicas de inteligência artificial para que a máquina "responda" se
as células são tumorais.
Para isso, foram usadas, na criação do modelo, centenas de
amostras de tecidos cancerosos que, por meio de suas características,
"ensinam" a máquina a identificar tecido tumoral.
"Na primeira fase da pesquisa analisamos mais de 200
amostras de tecido humano e verificamos uma precisão de identificação do câncer
de 97%", conta Livia.
Próximos passos
O resultado dessa etapa do estudo foi publicado na
prestigiosa revista científica Science Translational Medicine em 2017. Depois,
o grupo de pesquisa da brasileira nos EUA ampliou a investigação para 800
amostras de tecido e, mais recentemente, obteve autorização de comitês de ética
de instituições americanas para testar a técnica em humanos, durante cirurgias
reais.
"Apesar dos bons resultados em amostras de tecido, o
modelo ainda precisa ser validado em testes clínicos. Se os resultados forem
confirmados, ainda deve demorar de dois a três anos para a caneta ser lançada
como produto", opina Livia. O dispositivo já foi testado para câncer de
cérebro, ovário, tireoide, mama e pulmão, e está começando a ser usado também
nas pesquisas de tumor de pele.
Caso a técnica se mostre eficaz também para esse tipo de
câncer, ela poderia ser usada para identificar se pintas ou outras lesões de
pele são malignas sem a necessidade de remoção de uma parte do tecido, o que
pode trazer danos estéticos.
Para Fabiana Baroni Makdissi, cirurgiã oncológica e diretora
do Centro de Referência da Mama do A. C. Camargo Cancer Center, caso confirmada
a eficácia do método em todas as fases da pesquisa, ele trará ganhos nos
tratamentos contra o câncer por permitir maior precisão na retirada dos
tumores. "Uma das coisas mais importantes quando a gente fala de
tratamento cirúrgico é que o cirurgião consiga retirar completamente o tumor.
As taxas de cura vão estar relacionadas a isso, mas temos limitações em
garantir que toda a circunferência do tecido retirado esteja livre de células
tumorais. Então, uma tecnologia como essa, se validada, tem muito a agregar."
Ela explica que a técnica seria importante porque nem todos
os hospitais contam com um patologista na equipe cirúrgica para analisar o
tecido removido ainda durante a operação. "Nesses casos em que não há essa
análise das margens durante a cirurgia, a taxa de reoperação é maior",
diz.
Fabiana destaca ainda que a rapidez do novo método pode ter
outras vantagens para o paciente. "A redução do tempo cirúrgico seria um
benefício agregado da técnica, principalmente em pacientes mais idosos, com
doenças crônicas, que têm maiores riscos durante um procedimento
cirúrgico", diz a especialista. As informações são do jornal O Estado de
S. Paulo.


